1 O ATO MATA!


Autor: Marcus Fleury Jr
Título: O Ato Ata!

O discurso da razão, quanto mais contundente, levando uma legião de seguidores e defensores, encontrará nas entrelinhas de sua própria estrutura, o ruir de suas propostas, afinal, desfaz-se nos momentos em que imagina-se sobressair em relação ao mundo que defende, pois, quanto mais vestido de racionalidade, maiores são as fissuras em seu contexto. São palavras construídas, cujo intuito é persuadir uma contemporaneidade de desatentos em relação à intencionalidade existente na consolidação das teses, estando essas, lotando as academias, faculdades e outras coisas dessas, que, ao invés de desconstruir o que é existente, tenta fazer um cerzir invisível sobre a pretensa cientificidade, encobertando, em meio à questionável formação acadêmica, discípulos do maniqueísmo, cujo bem e mal, nada mais é, senão, aquilo que necessita para convencer e disfarçar o mundo em farrapos, lançado sob marquises do pensamento e dos interesses das relações de dominação, cuja sombra reflete a projeção da obscuridade e, cujo frio, disfarçado em seus sentimentos de culpa, apresenta-se no calor de sua embriaguez. O mundo é o mendigo que, se vestindo com elegância e pronunciando com eloqüência seu discurso, disfarça afugentar as misérias visíveis em sua mais intensa dor; então, torna-se a galeria, em cujas vitrines estão as “belas obras de consumo”, bem como, os discursos, cujas falas, agrupam “destacadas pessoas”, na tentativa em validar os interesses e intenções próprias ao que acreditam ser, “o certo e o errado”. Mas o que é cada um? Como se estabelece? Como age para persuadir, o desatento ser humano, completamente envolvido por um mundo que não o é e, muito menos, pelo universo que não tem, afinal, se o despirmos, encontraremos sob as suas vestes, sob seus carros e seu dinheirinho de plástico, a mais lamentável forma de adoecer contemporâneo: um intenso auto-abandono promovido pelo narcísico encantamento, sendo esse, o prenúncio da auto-renúncia.

Esses males que matam silenciosamente estão ao alcance dos pet-scans, da tecnologia ou do academicismo limítrofe e tantos outros recursos de seres em rota de fuga? Estão ao alcance da indústria da doença? Essa, a grande motriz das estratégias em fazer-se, sob a relação de poderes, a representação simbólica de Pandora, a entidade mitológica que espalhou todos os males, aprisionando em uma caixa, a esperança. Por acaso, as agruras humanas são domínio de uma só ciência, sendo que, todas as existentes, são resultantes, não de seus objetos de pesquisa, mas, entretanto, da mais intrínseca relação entre o que os seres humanos, em suas mais variadas formas de existir, oferecem para que, sobre suas finalidades, ou mesmo, a falta delas, sejam elaboradas as formas de pensamento e, sobre tais, sejam construídas as diversidades acadêmicas e profissionais. Então, nada deverá ser exclusivo a apenas uma corrente de pensamento, pois, caso assim ocorra, a análise quanto a grandiosidade do ser humano e sua história desprovida de pontos finais, será limitada pelos interesses de pequenos grupos, cujas finalidades não mensuram os meios, atropelando a dignidade humana, afinal, pretende colocá-la sob a sua titularidade e domínio, exercendo em relação à mesma, seus tratados, muitos deles, estruturados em função das amplas relações com a indústria da doença. Dr.Thomaz Szsaz, psiquiatra renomado, membro da A.P.A e cátedra, apresentou, anos atrás, a intensa relação de interesses entre determinados setores, portanto, senhores leitores, caso queiram, conhecer o pensamento desse médico assistam o video que segue logo abaixo:


O que mais poderá fazer uma só ciência ou doutrina em um mundo onde, a diversidade transpõe as regras e avança sobre quem tenta limitar a forma como cada um vê, sente, imagina e reage quanto ao que vive, bem como, ao que não necessita ser vivido? Portanto, delegar a supremacia totalitária a quem quer que seja, consiste em fazer ao mundo um universo de estigmas, cujas finalidades servem aos senhores que fazem de suas atribuições a prática da coerção, limitando assim, a grandiosidade existencial através da hierarquização das relações.

Saibam que, sobre o tempo, caso seja aprovado o ato médico, será construída uma das maiores derrocadas, não apenas da cientificidade, mas, principalmente, da construção e desconstrução permanente em relação a conceituação do que é compreendido como saúde, afinal, a mesma, modifica-se continuamente, não se sujeitando aos esquemas de interesses pessoais, pois, essa prática, nada mais é, senão, doença.

Enquanto há uma consistente evolução das relações multidisplinares e, um projeto em andamento no Congresso limitará as políticas de saúde, diagnósticos e outras práticas às ciências médicas e, nesse momento, cabe um questionamento: A ciência é limitável? É um campo exclusivo de quem quer que seja? Deixarei que os senhores respondam após a leitura do questionamento, encaminhado a relatora do projeto de lei que, dias atrás, foi chamada por um médico de “madrinha do ato médico”. Sinceramente, esse foi um sinal que leva-nos a constatar profunda parcialidade e envolvimento com um dos lados, portanto, o senado deveria designar um outro relator, completamente desvinculado das articulações, para que a lei que regula a atuação médica, estando a mesma sem atualização desde a década de 1930, seja avaliada por um outro viés que não limite a atuação de nenhuma da categorias e não transforme a saúde um cartel, nem mesmo limite a importância das relações multidisciplinares. Segundo o Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Dr. Antonio Carlos Lopes, “é inadmissível pensar em um vôo cego quando o assunto é medicina” e, ainda mais grave, são as ponderações feitas quando alega que, mais de 56% de médicos foram reprovados em uma avaliação facultativa realizada pelo Cremesp (Conselho regional de Medicina do Estado de São Paulo).

Então, diante dessas evidências, fica aqui uma dúvida: Serão esses reprovados na avaliação facultativa os senhores responsáveis pelas políticas de saúde em nosso país? Serão eles os detentores da tutela que definirá desde os diagnósticos até mesmo as mais primárias atuações no campo da saúde?



Marcus Antonio Britto de Fleury Junior é psicólogo, coordenador do programa de prevenção a depressão e do grupo de estudos Michel Foucault do Ateliê de Inteligência.


3 Epidemia Normósica






De: Kárcio Sángeles
Para: Sociedade
Assunto:Epidemia Normósica

"A Violência é tão fascinante e nossas vidas são tão normais (...)"
(Trecho da música Baader-Meinhof Blues, Legião Urbana)



É fascinante o caráter apático desenvolvido pelo ser humano;  os sorrisos alegres fundamentados na ignorante apreciação da desgraça do outro; a miséria exposta nas calçadas urbanas; o sarcasmo estúpido da juventude transviada, a criança cheirando cola e procurando entre os detritos um alimento pútrido; o sensacionalismo cômico das violências cotidianas, as canções vulgares que incitam meninos e meninas a sexualidade precoce e depravada, as piadas humorísticas repletas de discriminação.


Se você acha tudo isso fascinante então comece a partir de agora a se tratar!




Essas são apenas algumas de muitas condutas corrompidas, decorrentes do crepúsculo da moralidade, engendrando a Síndrome da Normose ¹. Você já deve ter se deparado com os papéizinhos entregues por pedintes nos ônibus cheios de erros ortográficos:


"Cenhores pasageros por favor pesso
uma ajuda pra compra comida
pra minha familha que deus abençoe"
(Aline, 10 anos, nos ônibus pedinte, 14/10/2009)


No mínimo deve ter tido um ataque de risos ou deve ter sentido "pena" e dado alguns trocados ou até pior ter ignorado a presença daquele ser humano fazendo-o invisível diante da sua retina. Os indivíduos normósicos ² São Aqueles que estão constantemente se esquivando dos problemas sociais, para eles "Tudo é Normal".
"Bandidos armados patrocinando o medo", "Políticos corruptos roubando o dinheiro público", e entre tantas outras anormalidades que se Tornam normais.


Se você ainda não foi contaminado por essa epidemia normósica, então se proteja estimulando os anticorpos abstratos de sua consciência.





¹ Normose: Distúrbio da moral; humor depreciativo.
² Normósico: Aquele que sofre de normose, um individuo que deturpa Normas e Padrões sociais.











1 Síndrome da Pressa




De: Kárcio Sángeles
Para: Sociedade
Assunto: Síndrome da Pressa – A busca pelo inexistente

Você esta impaciente? Não consegue se concentrar? Acha que o tempo que tem é insuficiente? Então cuidado!!! Você pode estar sofrendo a síndrome da pressa. Nessa sociedade capitalista contemporânea as pessoas são pautadas pela praxe cotidiana da aceleração maquinal compulsiva. As coisas se inverteram, o dilema agora é: “A pressa é amiga da perfeição”, trocamos uma vida saudável por uma vida agitada, estressante e negativa. Poucas são as vezes que paramos para desfrutar de momentos de lazer, e mesmo nesses raros momentos somos coagidos a pensar, nas várias atividades que iremos realizar no próximo dia. Sonhar é um termo pouco utilizado em nossa época. O realizar tomou conta do nosso sono. Não mastigamos a comida, simplesmente a engolimos, igualmente como fazemos com a nossa dinâmica de vida alienada indigesta. se utilizarmos a linguagem matemática para dar uma noção cientifica a esse “distúrbio social” poderemos dizer que:


“Enquanto a ignorância e a pressa cresce em Progressão geométrica (P.G) multiplicando, mais rápido; a consciência e o senso crítico cresce em progressão aritmética (P.A) somando, mais lento.”
 
O avanço tecnológico impulsiona a sociedade a um progresso sem ordem, condicionando os indivíduos a uma busca pelo sucesso individualista inalcançável, o homem corre contra o tempo, ou melhor, quantifica até o tempo que o tempo tem, e para justificar sua pressa doentia se remete a uma frase do senso comum que diz: “A vida é curta”, no entanto, como podemos saber o tamanho dela se não sabemos a data e a hora de nossa morte? Como saber o dia de amanhã se ainda estamos no hoje? Esquecemos de viver o presente e nos tele-transportamos para um futuro que ainda não existe. Essa busca pelo inexistente é na verdade uma forma de preencher um vazio interior. O homem não mais trabalha pra sobreviver, e sim, vive para trabalhar, sempre alimentando a idéia de que o amanhã vai ser melhor e continua faminto, mendigando qualidade de vida, não quer envelhecer mais não ver a hora do dia terminar, não quer morrer, porém se diz cansado da vida. A síndrome da pressa esta também correlacionada com “O Complexo da Perfeição”, a busca pelo perfeito é supervalorizado na atualidade, e tentamos desesperadamente alcançar esta ápice da perfeição o non plus ultra*. Essa pressa descomunal pode cadear outras doenças, como Síndrome do Pânico, Agorafobia, Infartos, Acidentes Vásculo-Cerebrais, Gastrites, Úlceras, entre outros.





*non plus ultra: Expressão latina que significa não mais além, e se emprega para designar o auge, a última perfeição.




1 Hipermodernidade



De: Kárcio Sángeles
Para: Sociedade
Assunto: Hiper-Modernidade - A Segunda Idade das Trevas



Período atual, marcado pelo exagero, onde as perguntas Quem sou? De onde vim? Pra onde vou? Perderam-se diante da superficialidade do modo de vida, da decadência dos vínculos sociais, época em que a reflexão crítica é menosprezada, onde os indivíduos tentam encontrar refúgio na ignorância. A alienação é algo marcante na sociedade hiper-moderna, desencadeando uma banalização inerente a uma subjetividade empobrecida, os meios de comunicação estão freqüentemente influenciando o consumo demasiado de produtos desnecessários. Aqueles que tentam refletir e questionar são engolidos pela sociedade dos “normais” “da maioria”. A família e outros grupos sociais se desvincularam dos conceitos e princípios de harmonia, companheirismo e união, desprezando os valores éticos e morais e dando espaço para o individualismo que se faz presente e destrutivo diante da sociedade, aniquilando o coletivismo, desenvolvendo um exagerado espírito competitivo.

Os aspectos engendrados e difundidos na Hiper-modernidade são geradores de um vazio existencial. A busca pela estética perfeita, pela mulher ou pelo o homem perfeito e tudo mais ligado a essa perfeição descartável espelhada pela proposta alienadora da mídia, causa o adoecimento, a ansiedade, o estresse e a depressão entre outras patologias sociais. O real passa a ser substituído pelo virtual, desta forma, as experiências da vida importantes para a maturidade e crescimento pessoal vão rapidamente se perdendo, dando assim maior importância às experiências platônicas conectadas e transmitidas pela virtualidade. Estamos freqüentemente sendo bombardeados por essa ditadura ideológica da Hiper-modernidade que propaga a Anti-reflexão, estreitando a busca pelo entendimento da nossa existência, deturpando quem somos de onde vimos e pra onde vamos.

Estamos diante da involução humana, desarmados e a mercê do capitalismo, cultivando o caminho da nossa destruição. Tornamos-nos produtos da alienação e produtores da mesma. O ser humano com seu poder de assimilação se torna cada vez mais análogo ao um animal irracional. Aqueles poucos que conseguem escapar desta manipulação estão à beira de um abismo e diante de um exercito devastador de zumbis.

Estamos constantemente sendo impedidos de questionar, vivemos na “segunda idade das trevas”, precisamos novamente renascer.

O ser humano se tornou um extraordinário escultor de mascaras, e todos os dias se olha no espelho da mídia e da moda e escolhe sua identidade social descartável.



Este é o banner das grandes indústrias farmacêuticas, da política corrupta, dos programas de TV, das telenovelas, da internet, da tecnologia, das propagandas de uma vida saudável que se escondem por trás do consumismo, esses são alguns dos agentes do sistema manipulador.

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